Combustíveis

Combustíveis: quanto já pagou a mais desde o início do conflito no Irão?

A guerra no Irão faz aumentar os preços dos combustíveis e todos nós sentimos isso na carteira. Fiz as contas a quanto o conflito já custou no total nos combustíveis desde o dia 28 de fevereiro. A conta pode chegar às centenas de euros.

Pedro Andersson

Desde o início de março, abastecer o carro ficou substancialmente mais caro. Mas dizer que o gasóleo ou a gasolina subiram alguns cêntimos por litro não mostra verdadeiramente o impacto que esta subida teve no orçamento das famílias.

Por isso, fui fazer as contas de outra maneira: quanto custou, semana após semana, encher um depósito de 50 litros? E, sobretudo, quanto é que já foi pago a mais quando se compara com os preços praticados antes do agravamento provocado pelo conflito no Irão?

A resposta é bastante mais expressiva: quem gastou um depósito de 50 litros de gasóleo por semana pagou cerca de 415 euros a mais entre o início de março e o início de agosto. Na gasolina, o acréscimo foi de cerca de 287 euros.

Não são apenas cêntimos. Ao fim de vários meses, são centenas de euros. Veja como fiz as contas, com base nos dados da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia).

Quanto custava abastecer antes de março?

Para perceber o verdadeiro impacto da subida dos combustíveis, comecei por estabelecer uma referência.

Peguei nos preços médios do gasóleo simples e da gasolina simples 95 publicados pela DGEG em todas as segundas-feiras entre 5 de janeiro e 23 de fevereiro de 2026.

Nesse período, anterior à escalada dos preços registada a partir de março, o preço médio foi de:

Gasóleo simples: 1,56 €/litro

Gasolina simples 95: 1,66 €/litro

Traduzindo estes valores para aquilo que realmente sai da carteira, um depósito de 50 litros custava, em média:

Gasóleo: 78,44 €

Gasolina: 83,45 €

São estes os valores que vou usar como referência.

A pergunta é simples: quanto passou a pagar a mais em cada abastecimento depois disso?

O salto foi enorme logo em março.

Os números mostram claramente a rapidez com que a situação mudou.

Na segunda-feira, 2 de março, um depósito de 50 litros de gasóleo já custava 81,48 euros. Eram mais 3,04 euros do que a média das semanas anteriores.

Uma semana depois, em 9 de março, já custava 90,87 euros.

Ou seja, em apenas uma semana, o agravamento face ao período anterior passou de cerca de 3 euros para mais de 12 euros por depósito.

A 16 de março, eram mais 17,28 euros.

A 23 de março, mais 23,88 euros.

E na semana de 6 de abril chegou-se ao ponto máximo do período: encher 50 litros de gasóleo custava 106,55 euros.

Antes de março, o mesmo depósito custava em média 78,44 euros.

A diferença foi de 28,10 euros num único abastecimento.

É provavelmente esta a comparação que melhor traduz o impacto real da subida dos combustíveis: não estamos a falar apenas de uma diferença de alguns cêntimos no painel do posto de combustível. Estamos a falar de quase 30 euros adicionais de uma só vez.

E na gasolina?

A evolução da gasolina foi menos violenta, mas o efeito acumulado também foi significativo.

Antes de março, encher um depósito de 50 litros de gasolina simples 95 custava, em média, 83,45 euros.

Em 2 de março já custava 85,14 euros.

Em 23 de março, 96,11 euros.

E em 25 de maio atingiu o valor mais elevado das segundas-feiras analisadas: 101,13 euros.

Nesse momento, um depósito custava mais 17,68 euros do que a média anterior a março.

Quanto já pagou a mais?

É aqui que as contas se tornam particularmente interessantes.

Imagine alguém que abastece 50 litros por semana.

Não estou a dizer que todas as famílias gastam exatamente esta quantidade. É apenas uma forma simples de transformar os preços por litro em dinheiro real e perceber a dimensão da subida.

Entre 2 de março e 3 de agosto há 23 segundas-feiras na base de dados analisada.

Se, em cada uma dessas semanas, tivesse abastecido 50 litros de gasóleo, teria pago aproximadamente 414,67 euros a mais do que teria pago se o custo de um depósito se tivesse mantido na média registada antes de março.

Na gasolina, o acréscimo acumulado teria sido de 287,05 euros a mais.

É dinheiro que desapareceu do orçamento familiar apenas porque o mesmo depósito passou a custar mais.

Para uma família que tenha dois automóveis, ou que faça muitos quilómetros por motivos profissionais, este efeito pode ser ainda maior.

Naturalmente, isto não significa que uma família típica tenha necessariamente gasto os dois depósitos todas as semanas.

Serve para perceber a dimensão acumulada do aumento.

Semana após semana, 10 euros aqui, 15 euros ali, 20 euros na semana seguinte parecem valores relativamente pequenos quando vistos isoladamente.

Somados durante cinco meses, transformam-se em centenas de euros.

A próxima semana deverá aliviar a fatura

Há, entretanto, uma boa notícia nas previsões para a semana de 10 de agosto.

Os valores que tenho neste momento apontam para:

Gasóleo simples: 1,93 €/litro

Gasolina simples 95: 1,855 €/litro

Se estes valores se confirmarem, um depósito de 50 litros deverá custar:

Gasóleo: 96,50 €

Gasolina: 92,75 €

Face aos preços de 3 de agosto, isso representaria uma redução de cerca de 5,97 euros num depósito de gasóleo e de 6,36 euros num depósito de gasolina.

Mas atenção: os valores de 10 de agosto são ainda uma previsão e, por isso, não devem ser confundidos com os preços históricos da DGEG utilizados no restante cálculo.

Mesmo depois desta descida prevista, o depósito continuaria mais caro do que antes da escalada de março.

No gasóleo, continuaria a pagar cerca de 18,06 euros a mais por 50 litros.

Na gasolina, cerca de 9,30 euros a mais.

Se estes preços se confirmarem, o agravamento acumulado desde 2 de março passaria para cerca de 432,73 euros no gasóleo e 296,36 euros na gasolina.

Não olhe apenas para os cêntimos por litro

Esta é uma das razões pelas quais insisto tanto em fazer contas.

Quando se ouve que o combustível subiu 5, 10 ou 20 cêntimos por litro, pode ser difícil perceber imediatamente o que isso significa.

Multiplique por 50 litros.

Depois multiplique pelo número de abastecimentos que faz por mês.

E, finalmente, pelo número de meses em que o preço permanece elevado.

É aí que aparece a verdadeira dimensão do problema.

Uma diferença de 20 cêntimos por litro significa mais 10 euros num depósito de 50 litros. Se fizer quatro abastecimentos por mês, são 40 euros. Se a situação durar seis meses, são 240 euros.

São estas contas que devem ser feitas antes de concluir que uma subida de alguns cêntimos “não é assim tanto”.

O que pode fazer para reduzir o impacto

Não controla o preço internacional do petróleo, os conflitos geopolíticos, os impostos ou as margens das empresas. Mas continua a controlar onde abastece.

E, em períodos de preços elevados, essa escolha ganha ainda mais importância.

Compare os preços dos postos próximos antes de abastecer. Uma diferença de 10 cêntimos por litro representa 5 euros num depósito de 50 litros.

Se abastecer uma vez por semana, são potencialmente 260 euros num ano.

Veja também se os descontos de cartões, supermercados ou aplicações são realmente descontos. O que interessa é o preço final por litro depois de todos os benefícios, e não o número anunciado na publicidade.

E há uma regra básica que continua válida: não faça vários quilómetros apenas para poupar alguns cêntimos. O combustível gasto na deslocação também custa dinheiro.

Faça as suas próprias contas

Estes números não significam que todas as famílias tenham perdido 415 euros desde março.

Quem abastece menos gastou menos. Quem percorre muitos quilómetros gastou muito mais.

Mas mostram algo importante: uma subida relativamente pequena quando apresentada em euros por litro pode transformar-se numa despesa muito relevante quando é acumulada semana após semana.

No caso do gasóleo, quem tivesse abastecido 50 litros todas as semanas desde o início de março teria gasto cerca de 415 euros adicionais até ao início de agosto.

São quase cinco depósitos completos ao preço médio que existia antes da escalada.

É por isso que acompanhar o preço dos combustíveis e escolher onde abastecer não é uma preocupação menor. É gestão do orçamento familiar.

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