Num carro a gasolina ou a gasóleo, fazer as contas é relativamente simples: sabe quanto custa cada litro, quantos litros abasteceu e quanto pagou.
Num carro elétrico, a conta pode ser bastante mais complicada.
O preço depende do local onde carrega, da potência do carregador, do tarifário utilizado e, em alguns casos, até do tempo durante o qual o carro permanece ligado.
É precisamente para ajudar a fazer estas contas que foi criado um novo simulador no Poupa Energia. A ferramenta permite comparar os custos de utilização de um carro a combustão com os de um veículo elétrico.
O utilizador pode indicar, entre outros dados, quantos quilómetros percorre, o consumo e autonomia do carro elétrico e onde prevê fazer os carregamentos: em casa, em postos públicos mais lentos ou em carregadores rápidos e ultrarrápidos.
Pode ver ou rever aqui a reportagem desta semana:
Carregar fora de casa pode mudar completamente as contas
Este é provavelmente o ponto mais importante a ter em conta. Nos carregamentos públicos, o preço final não depende apenas da eletricidade consumida. Podem existir outros custos associados ao operador do posto e ao próprio tempo de utilização.
Há postos, por exemplo, que cobram uma componente por minuto e outras taxas. Se deixar o automóvel ligado depois de a bateria chegar aos 100%, poderá ainda continuar a pagar uma taxa de ocupação.
Tudo isto pode fazer subir consideravelmente o preço final do carregamento.
O mesmo carro elétrico pode ser muito mais barato ou mais caro do que um carro a combustão, dependendo sobretudo da forma como é carregado. Tem sempre de fazer a conta para o seu caso.
De 36 euros para quase 110 euros por mês
Na simulação apresentada no Contas-poupança, um dos cenários analisados aponta para um custo de cerca de 36 euros por mês quando o carregamento é feito essencialmente em casa.
Mas basta alterar o perfil de carregamento para a diferença ser significativa. Ao considerar 80% dos carregamentos fora de casa, o custo mensal sobe para quase 110 euros.
Ou seja, o carro é exatamente o mesmo. Os quilómetros também podem ser os mesmos. O que mudou foi a forma como a bateria é carregada.
A diferença pode ultrapassar 1.700 euros por ano
Num dos exemplos apresentados, com carregamento doméstico e os preços considerados pelo simulador, o custo anual da eletricidade ficaria próximo dos 400 euros.
Para uma utilização equivalente num automóvel a combustão, a despesa ultrapassaria os 2.000 euros, tendo em contas os atuais preços muito elevados.
Neste cenário, a diferença pode superar os 1.700 euros por ano.
É importante, porém, não interpretar este valor como uma poupança garantida para quem compra um carro elétrico. O resultado depende dos quilómetros percorridos, do consumo dos veículos, do preço da eletricidade e, sobretudo, do tipo de carregamento utilizado. O simulador é feito com valores médios, pelo que depois deve fazer as suas contas com valores mais específicos, mas pelo menos, fica com uma ordem de grandeza para a sua comparação inicial sobre se deve comprar ou não um carro elétrico conforme as possibilidades que tem de carregamento.
Há situações em que carregar o elétrico custa mais do que abastecer
No exemplo de alguém que percorra cerca de 35 quilómetros por dia, aproximadamente 15 mil quilómetros por ano, com um automóvel elétrico com 400 quilómetros de autonomia, carregar em casa resultaria numa despesa anual de pouco mais de 900 euros. Se carregar à noite com bi-horário, os resultados ainda podem ser mais expressivos.
Num automóvel a combustão, a despesa aproximar-se-ia dos 3.000 euros.
Mas se os mesmos quilómetros fossem feitos carregando sempre o carro elétrico fora de casa em postos ultrarrápidos, a conta mudaria completamente. A despesa com eletricidade ultrapassaria os 3.500 euros por ano, contra cerca de 2.947 euros em combustível.
Neste exemplo, andar de carro elétrico poderia representar um custo adicional superior a 600 euros por ano.
Se carrega em casa, atenção ao seu contrato de eletricidade
Há outra conta que muitas vezes é esquecida. Se comprar um carro elétrico e passar a carregá-lo regularmente em casa, o consumo de eletricidade da família vai aumentar de forma significativa. Por isso, o preço que paga por cada kWh passa a ter ainda mais importância.
O simulador permite também comparar tarifários de eletricidade. No exemplo apresentado, escolher uma alternativa mais barata poderia reduzir o custo do carregamento em casa em quase 50% face às ofertas mais caras. O simulador não leva em conta descontos específicos. Quando avançar deve ter isso também em consideração. pode mudar os resultados apresentados.
No Contas Poupança, analisamos regularmente o preço e as opções mais económicas no mercado.
CARREGA EM CASA? O tarifário pode fazer uma diferença de quase 50% |
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Também deve verificar se a potência contratada é adequada ao carregador que pretende instalar. A potência do carregamento pode influenciar não apenas o tempo necessário para carregar a bateria, mas também os custos associados ao contrato de eletricidade.
Aproveito para partilhar uma análise muito minuciosa que a página “PlugNow!” fez sobre o simulador e que aconselho que leia com atenção, para tirar o pleno benefício deste tipo de simuladores. Tem detalhes que podem fazer a diferença.
Vai comprar um elétrico? Faça primeiro estas contas
Comprar um carro elétrico exclusivamente porque acredita que vai gastar menos pode ser um erro. Há situações em que a diferença é muito significativa a favor do elétrico, mas também há perfis em que os carregamentos públicos podem eliminar essa vantagem.
Antes de decidir, simule quantos quilómetros faz por ano, quanto consome o carro que pretende comprar e onde vai carregar habitualmente.
Se já tem um carro elétrico, faça a mesma conta. Veja quanto está realmente a pagar nos carregamentos públicos e compare o seu tarifário de eletricidade se carrega em casa.
Os preços da eletricidade e dos combustíveis mudam, pelo que estas contas também devem ser revistas regularmente.
Um carro elétrico pode permitir-lhe reduzir bastante as despesas com deslocações. Mas não basta ser elétrico para ser automaticamente mais barato. Tem de fazer as contas.
Antes de comprar um elétrico, descubra:
- quantos quilómetros faz por ano;
- quantos kWh/100 km consome o elétrico;
- que percentagem poderá carregar em casa;
- quanto paga realmente por kWh em casa e nos postos que provavelmente utilizará.
Depois faz a simulação.
O próprio simulador foi concebido precisamente para personalizar os resultados com a distância percorrida, tipo de trajeto, características da viatura e distribuição entre carregamento doméstico e público.
Atenção! Gastar menos em eletricidade do que em gasolina ou gasóleo não significa automaticamente que compense comprar um carro elétrico. Para fazer essa conta deve considerar também o preço de compra, financiamento, manutenção, seguro, impostos, eventual instalação de um carregador em casa e a desvalorização do automóvel. |
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