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Tem eletricidade bi-horária? As horas mais baratas vão mudar a partir de 2027

A ERSE aprovou novos períodos horários para as tarifas bi-horárias e tri-horárias de eletricidade. A mudança vai afetar cerca de 500 mil consumidores domésticos e pequenos negócios em Portugal continental. Veja o que muda no seu caso.

Pedro Andersson

Se tem uma tarifa simples, não vai começar a pagar mais ou menos por causa desta alteração. No entanto, o contador também será atualizado para permitir perceber quanto poderia poupar caso mudasse para uma tarifa bi-horária ou tri-horária.

A alteração dos horários começa em 2027, mas não será aplicada a todos os consumidores ao mesmo tempo.

O que vai mudar na tarifa bi-horária

Nas tarifas bi-horárias, o preço da eletricidade depende da hora em que é consumida.

Existem dois períodos:

  • Vazio, com eletricidade normalmente mais barata;
  • Fora de vazio, com eletricidade normalmente mais cara.

No ciclo diário, o período de vazio vai começar meia hora mais tarde.

Em vez de começar às 22h00, passará a começar às 22h30.

O período de vazio também terminará meia hora mais tarde. Em vez de terminar às 8h00, terminará às 8h30.

Ou seja, no ciclo diário, o horário de vazio passará a ser, em princípio, entre as 22h30 e as 8h30.

Nos dias úteis do ciclo semanal também haverá um atraso de meia hora. O vazio começará às 00h30, em vez de começar à meia-noite, e terminará às 7h30, em vez das 7h00.

A duração total dos períodos mais baratos e mais caros não muda. O que muda é a hora de início e de fim.

Porque é que os horários vão mudar

Os horários atuais foram definidos com base num sistema elétrico muito diferente daquele que existe hoje.

Portugal tem agora muito mais produção de eletricidade através de fontes renováveis, incluindo painéis solares instalados em casas, empresas e terrenos.

Durante algumas horas do dia, sobretudo quando existe muita produção solar, há mais eletricidade disponível. Ao final do dia, quando a produção solar diminui e o consumo aumenta, a rede fica mais pressionada.

A ERSE pretende aproximar os períodos horários da utilização real da rede elétrica.

O objetivo é levar os consumidores a transferirem parte do consumo para períodos em que existe menos pressão sobre a rede. A prazo, isso poderá reduzir a necessidade de construir ou reforçar redes elétricas e ajudar a controlar os custos pagos por todos os consumidores.

Note que isto não significa que a sua fatura vai automaticamente baixar. O impacto dependerá das horas em que consome eletricidade e dos preços definidos pelo seu comercializador para cada período.

As horas mais caras passam sobretudo para o final do dia

Nas tarifas tri-horárias e tetra-horárias, a principal alteração será a concentração das horas de ponta no final do dia.

As horas de ponta são, regra geral, as horas em que a eletricidade e a utilização das redes são mais caras.

Com os novos horários, deixam de existir horas de ponta durante a manhã e no início da tarde.

A mudança poderá beneficiar consumidores e empresas que tenham consumos elevados durante a manhã, mas poderá prejudicar quem concentra grande parte do consumo ao final da tarde e à noite.

Por exemplo, uma família que chegue a casa e ligue simultaneamente o forno, a placa, a máquina de lavar roupa, a máquina de lavar loiça e o termoacumulador poderá passar a concentrar o consumo numa das fases mais caras do dia.

Será, por isso, ainda mais importante programar equipamentos e evitar ligar tudo ao mesmo tempo.

Quando entram em vigor os novos horários

A implementação será feita por fases.

Para clientes empresariais e industriais ligados em baixa tensão especial, média tensão, alta tensão ou muito alta tensão, os novos horários entram em vigor no dia 1 de abril de 2027.

Para consumidores domésticos e pequenos negócios em baixa tensão normal com tarifas bi-horárias ou tri-horárias, a alteração será feita entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2027.

Não existe, portanto, um dia específico em que todos os clientes domésticos passem a ter os novos horários.

A alteração será feita automaticamente pelo operador da rede, preferencialmente de forma remota através do contador inteligente.

Na maioria dos casos, não será necessário fazer qualquer pedido nem receber um técnico em casa.

Nos casos em que não seja possível atualizar o contador à distância, será necessária a deslocação de um técnico.

Quem tem tarifa simples também terá o contador atualizado

Os cerca de 6 milhões de consumidores domésticos com tarifa simples não são diretamente afetados pelos novos períodos horários.

Na tarifa simples, o preço da eletricidade é igual durante todo o dia, independentemente da hora em que é utilizada.

Apesar disso, os contadores destes consumidores também serão atualizados. O objetivo é permitir que passem a consultar o consumo separado pelos novos períodos horários.

A atualização dos contadores dos clientes com tarifa simples decorrerá entre 1 de novembro de 2027 e 31 de março de 2030.

Esta informação poderá ser particularmente útil. Ao saber quanto consome nas horas de vazio, cheias ou ponta, poderá simular se compensa manter a tarifa simples ou mudar para uma tarifa com discriminação horária.

Durante este período, será também possível pedir ao operador da rede de distribuição, que é a E-REDES na maior parte de Portugal continental, que antecipe a parametrização do contador.

Ter tarifa bi-horária não significa necessariamente poupar

Uma tarifa bi-horária só compensa quando uma parte relevante do consumo é feita durante o período de vazio.

Quem tiver uma máquina de lavar roupa, máquina de lavar loiça ou carro elétrico, é necessário usá-los efetivamente nas horas mais baratas.

Imagine que paga menos por cada quilowatt-hora durante a noite, mas paga mais durante o dia. Se a maior parte do consumo continuar a ser feita fora do vazio, a tarifa bi-horária poderá ficar mais cara do que a tarifa simples.

Por outro lado, quem consiga programar máquinas, carregar o carro elétrico durante a noite ou aquecer água com um termoacumulador programável poderá ter condições para poupar.

As contas devem ser feitas com o consumo real e não com base em estimativas genéricas.

O que deve fazer antes da mudança

Não precisa de alterar já a tarifa nem de contactar imediatamente o comercializador.

Os novos horários só começam a ser aplicados aos consumidores domésticos durante o segundo semestre de 2027.

Até lá, pode começar por analisar os seus hábitos de consumo.

Consulte as faturas e a área de cliente do comercializador ou da E-REDES e tente perceber a que horas consome mais eletricidade.

Identifique, sobretudo, os aparelhos com maior consumo, como:

  • Termoacumuladores;
  • Aquecedores e aparelhos de ar condicionado;
  • Máquinas de lavar e secar roupa;
  • Máquinas de lavar loiça;
  • Fornos e placas elétricas;
  • Carregadores de veículos elétricos;
  • Bombas de piscinas.

Quando os novos horários forem aplicados, compare novamente as várias opções tarifárias.

Deve comparar não apenas a tarifa simples com a tarifa bi-horária, mas também as propostas de vários comercializadores. Uma tarifa bi-horária barata num comercializador pode ser mais cara do que uma tarifa simples noutro.

Uma oportunidade para rever a fatura de eletricidade

Esta alteração não deve ser vista apenas como uma mudança de meia hora no relógio.

É uma oportunidade para rever a tarifa, os hábitos de consumo e o contrato de eletricidade.

Muitas famílias mantêm durante anos a mesma opção tarifária sem confirmarem se continua a ser a mais adequada.

Quando os contadores forem atualizados, haverá mais informação disponível para tomar uma decisão baseada no consumo real.

A ERSE anunciou que irá disponibilizar simuladores e ferramentas para avaliar o impacto dos novos horários na fatura.

Quando essas ferramentas estiverem disponíveis, faça a simulação com os dados da sua própria casa.

A tarifa mais barata não é igual para todas as famílias. Depende da quantidade de eletricidade consumida, da hora em que é utilizada e dos preços praticados pelo comercializador.

O mais importante é não partir do princípio de que a tarifa bi-horária é sempre melhor ou de que a tarifa simples é sempre mais segura.

Faça as contas. É isso que separa uma decisão informada de uma fatura desnecessariamente mais cara.

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