Investimentos

Os 10 fundos de investimento que mais renderam esta semana

Os fundos de investimento portugueses continuam a refletir as tendências dos mercados internacionais. Esta semana, o fundo mais rentável acumulou uma valorização de 40% nos últimos 12 meses, mas será essa a melhor opção para qualquer investidor? Analisamos semanalmente o ranking da APFIPP (Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios) e explicamos o que estes resultados significam para quem investe ou está a pensar começar.

Pedro Andersson

O Top 10 desta semana (7 de agosto)

É possível ganhar mais de 40% num único ano sem comprar diretamente uma única ação. Basta investir através de um fundo de investimento. Mas também pode perder dinheiro. Todas as semanas vou mostrar-lhe quais foram os fundos portugueses (inclui PPR) - que pode subscrever no seu banco ou numa gestora de fundos nacional - que mais renderam e explicar o que estes resultados significam.

Subscrever fundos de investimento é uma das formas mais simples de investir nas bolsas, usando o seu banco "normal", sem comprar e vender ações individuais. Foi assim que comecei a minha “aventura” de investidor quando tinha 45 anos.

Há várias formas de encontrar estes fundos, mas a APFIPP faz um ranking semanal com essa informação. Vou passar a partilhar semanalmente esta lista, porque é possível que o banco onde já tem conta comercialize alguns destes fundos sem nunca lhe terem sido apresentados.

É importante que perceba que não têm capital garantido e que rentabilidades passadas não garantem rendimentos futuros. Mas é uma fonte de informação importante para perceber como é que pode ganhar dinheiro com o seu dinheiro. Note que os valores referidos não incluem comissões de subscrição e de resgate. Deve informar-se com detalhe sobre aquele ou aqueles que lhe interessarem.

Esta semana, os dez fundos nacionais com melhor desempenho foram:

No topo da lista mantém-se o Montepio Euro Energy, com uma valorização de 40,5% nos últimos 12 meses. Seguem-se o Caixa Ações Emergentes, com 35,7%, e o Caixa Ações EUA, com 35,4%. Há agora sete fundos entre os dez primeiros com rentabilidades anuais superiores a 30%.

Desde a última atualização, de 24 de julho (na semana passada estive de férias e com pouco acesso à internet), há várias mudanças importantes no ranking. A mais impressionante é a subida do Optimize PPR/OICVM Agressivo, que passou do 8.º para o 4.º lugar e viu a rentabilidade dos últimos 12 meses saltar de 24,3% para 32,9%.

Caso queira subscrever algum destes fundos ou obter mais informações sobre como funcionam, comissões e condições, deve contactar a sociedade gestora no respectivo banco ou gestora de fundos. Basta ligar-lhes ou ir lá e perguntar como se subscrevem fundos de investimento.

Como já percebeu por esta amostra, num ano pode ganhar ao equivalente a 20 anos em certificados de aforro, ou perder o equivalente a vários anos de juros se os mercados caírem e resgatar o que investiu. É precisamente por isso que estes fundos têm um nível de risco muito superior.


O que mudou em relação à semana passada?

🟢 Líder

O Montepio Euro Energy continua no primeiro lugar, mas perdeu algum fôlego. Na última atualização apresentava uma rentabilidade anual de 43,1% e agora está nos 40,5%. Apesar da descida de 2,6 pontos percentuais, continua com uma vantagem confortável sobre o segundo classificado, o Caixa Ações Emergentes, com 35,7%.

📈 Maior subida

A grande surpresa desta atualização é o Optimize PPR/OICVM Agressivo. Subiu quatro posições, do 8.º para o 4.º lugar, e a rentabilidade dos últimos 12 meses passou de 24,3% para 32,9%. São mais 8,6 pontos percentuais desde a última atualização.

Também merece destaque o Caixa Ações EUA, que subiu do 5.º para o 3.º lugar, aumentando a rentabilidade anual de 31,1% para 35,4%.

🆕 Entradas no Top 10

Há duas entradas desde a última atualização:

  • Caixa Ações Líderes Globais, que entra diretamente para o 8.º lugar, com uma rentabilidade anual de 30,2%;
  • Caixa Ações Líderes Globais PPR/OICVM, que entra para o 9.º lugar, com 29,9%.

Na realidade, ambos já tinham estado no Top 10 na atualização de 17 de julho, pelo que estamos perante um regresso ao ranking.

❌ Saídas do Top 10

Deixaram de integrar o Top 10 desde a última atualização:

  • Caixa Ações Portugal Espanha, que estava no 7.º lugar;
  • Montepio Euro Financial Services, que ocupava a 10.ª posição.

O BPI Universal, que anteriormente estava em 6.º lugar, consegue manter-se no Top 10, mas cai para a 10.ª posição, com uma rentabilidade anual de 28,6%.

Apesar destas alterações, mantém-se uma tendência interessante: energia e mercados emergentes continuam a dominar o topo da tabela.


Há PPR entre os melhores?

Sim, e esta é uma das novidades mais interessantes desta atualização. Há agora três PPR entre os dez fundos nacionais mais rentáveis dos últimos 12 meses.

O Optimize PPR/OICVM Agressivo está em 4.º lugar, com 32,9%; o Bankinter Mega TT PPR/OICVM – Classe C ocupa a 7.ª posição, com 31,0%; e o Caixa Ações Líderes Globais PPR/OICVM está em 9.º, com 29,9%.

Na última atualização havia apenas dois PPR no Top 10. Além de ter entrado mais um, os dois que permaneceram tiveram uma evolução muito significativa. O Optimize passou de 24,3% para 32,9% e o Bankinter Mega TT PPR/OICVM passou de 24,3% para 31,0%.

É mais uma demonstração de que a palavra "PPR" não significa necessariamente um investimento conservador. O Optimize e o Bankinter têm nível de risco 6 em 7, enquanto o Caixa Ações Líderes Globais PPR/OICVM tem risco 5.

Existem PPR fortemente expostos a ações e com níveis de risco elevados. Antes de escolher um PPR, é essencial perceber em que empresas é investido o dinheiro que lá põe.

Quanto risco foi necessário assumir?

O risco continua elevado, embora tenha diminuído ligeiramente na composição do Top 10.

Dos dez fundos mais rentáveis, seis têm nível de risco 6 e quatro têm nível de risco 5. Na última atualização eram sete fundos com risco 6 e apenas três com risco 5. O nível médio de risco do Top 10 passou, assim, de 5,7 para 5,6, numa escala de 1 a 7.

Continua, no entanto, a não existir qualquer fundo com nível de risco inferior a 5 entre os dez mais rentáveis. É um dado importante para não olhar apenas para os ganhos de 30% ou 40% e esquecer o risco que foi necessário assumir para chegar até eles.

A principal lição continua a ser a mesma: rentabilidades elevadas e risco andam normalmente de mãos dadas. Estes números não significam que estes fundos vão repetir estes ganhos nos próximos 12 meses.

Quem procura ganhos na ordem dos 25%, 30% ou 40% deve estar preparado para enfrentar oscilações significativas e até perdas temporárias durante o percurso. Antes de investir, vale a pena perguntar se conseguiria manter o investimento sem vender em pânico caso o fundo perdesse 20% ou 30% do seu valor num período de maior turbulência. Essa é, muitas vezes, a verdadeira medida do risco.

Como pode usar esta informação?

Esta atualização é um bom exemplo de como um ranking pode mudar rapidamente.

O líder continua a ser o mesmo, mas a sua rentabilidade anual caiu de 43,1% para 40,5%. Ao mesmo tempo, o Optimize PPR/OICVM Agressivo passou de 24,3% para 32,9% e saltou quatro posições. O Caixa Ações EUA passou do 5.º para o 3.º lugar e há dois fundos que regressaram ao Top 10.

É precisamente por isso que este ranking não deve ser utilizado para escolher automaticamente onde investir. Serve para descobrir fundos, acompanhar tendências e perceber onde estão a surgir as melhores rentabilidades, mas uma subida muito forte no passado recente não garante que continue no futuro.

Antes de subscrever um destes fundos, deve perceber onde investe, qual é o nível de risco, quanto paga em comissões e se o investimento é adequado aos seus objetivos e ao prazo durante o qual pode deixar o dinheiro investido.

A curiosidade desta atualização

O dado que mais se destaca não está no primeiro lugar. Está no quarto.

O Optimize PPR/OICVM Agressivo passou de uma rentabilidade anual de 24,3% para 32,9% desde a última atualização, uma diferença de 8,6 pontos percentuais, e saltou do 8.º para o 4.º lugar.

E há outro número interessante: três dos dez fundos mais rentáveis são agora PPR. Ou seja, quase um terço deste Top 10 é constituído por produtos destinados à poupança para a reforma — embora, neste caso, com uma exposição ao risco que está muito longe da ideia tradicional de um PPR conservador.

Um fundo que hoje aparece no primeiro lugar pode deixar de lá estar dentro de poucos meses. Por isso, mais importante do que procurar "o melhor fundo" é construir uma carteira diversificada e adequada ao perfil de risco.

Atenção! Esta classificação mostra apenas a rentabilidade dos últimos 12 meses. Não significa que estes sejam os melhores fundos para investir hoje. Muitas vezes, quando um setor sobe muito, pode atravessar uma fase de correção nos meses seguintes. Um ranking deve servir para estudar tendências e não para tomar decisões impulsivas. Veja quando renderam nos últimos 3 e 5 anos, pelo menos.


Antes de investir, lembre-se:

  • Rentabilidades passadas não garantem ganhos futuros.
  • Não invista apenas porque um fundo lidera um ranking.
  • Verifique sempre o nível de risco e as comissões.
  • Invista apenas em produtos que compreende.
  • Diversificar continua a ser uma das melhores formas de reduzir o risco.
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