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Eletricidade sobe 2,7% no mercado regulado em outubro: saiba quanto vai pagar a mais

A fatura média mensal da eletricidade vai aumentar cerca de 2,7% no mercado regulado a partir de 1 de outubro de 2026. Um casal sem filhos pagará mais 95 cêntimos por mês e um casal com dois filhos terá um aumento de 2,70 euros, segundo as simulações da ERSE. A subida não se aplica automaticamente ao mercado livre, mas é um sinal de que chegou o momento de voltar a comparar preços.

Pedro Andersson

Esta informação só se aplica a quem está na SU Eletricidade, mas todos podem usar estas dicas para pouparem na eletricidade.

A ERSE — Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos anunciou uma atualização do preço da tarifa de Energia no mercado regulado da eletricidade.

A partir de 1 de outubro de 2026, esta componente aumenta 0,005 euros por kWh, ou seja, meio cêntimo por cada quilowatt-hora consumido.

Ou seja, como pode ver neste gráfico, passará a custar 0,1705 €/kWh. Já começa a ser caro. Há empresas a fazer menos de 14 cêntimos.

Segundo a ERSE, para a maioria dos clientes domésticos do mercado regulado, esta alteração provocará um aumento de aproximadamente 2,7% na fatura média mensal de eletricidade.

A nova tarifa abrange cerca de 779 mil clientes, segundo os dados de junho de 2026. Estes consumidores representam aproximadamente 4,6% do consumo total de eletricidade.

Quanto vai aumentar a fatura?

As simulações oficiais da ERSE permitem perceber melhor o impacto da subida.

Um casal sem filhos, com uma potência contratada de 3,45 kVA, passará a pagar uma fatura média mensal de 37,77 euros, mais 95 cêntimos do que em setembro.

Já um casal com dois filhos e uma potência contratada de 6,9 kVA passará a pagar, em média, 97,73 euros por mês, mais 2,70 euros.

Perfil de consumo

Potência contratada

Fatura em setembro

Fatura desde outubro

Aumento mensal

Casal sem filhos

3,45 kVA

36,82 €

37,77 €

0,95 €

Casal com dois filhos

6,9 kVA

95,03 €

97,73 €

2,70 €

Como a nova tarifa entra em vigor em outubro, o impacto estimado até ao final de 2026 será de cerca de:

  • 2,85 euros para o casal sem filhos;
  • 8,10 euros para o casal com dois filhos.

Estes valores pressupõem faturas semelhantes em outubro, novembro e dezembro. O aumento efetivo de cada família dependerá do consumo, da potência contratada e das restantes componentes da fatura.

Quanto representa o aumento por consumo?

A tarifa de Energia aumenta 0,005 euros por kWh. Antes do efeito dos impostos, o impacto direto pode ser estimado da seguinte forma:

Consumo mensal

Aumento mensal

100 kWh

0,50 €

200 kWh

1 €

300 kWh

1,50 €

400 kWh

2 €

500 kWh

2,50 €

Para fazer uma estimativa rápida, basta consultar o consumo na última fatura e multiplicar esse valor por 0,005.

Por exemplo, para um consumo mensal de 250 kWh:

250 kWh × 0,005 € = 1,25 €

Este é o aumento direto da componente de energia, antes do efeito dos impostos. A alteração total da fatura dependerá igualmente das restantes componentes e do perfil de consumo.

Porque vai subir a eletricidade?

A ERSE acompanha trimestralmente os custos suportados pelo Comercializador de Último Recurso, que fornece eletricidade aos consumidores do mercado regulado.

Quando existe uma diferença de pelo menos 0,010 euros por kWh entre o custo de aquisição inicialmente previsto e a estimativa atualizada, o mecanismo previsto no Regulamento Tarifário permite alterar a tarifa de Energia em 0,005 euros por kWh, para cima ou para baixo.

Para 2026, a nova previsão aponta para um desvio de 0,0176 euros por kWh face ao custo que estava implícito na tarifa em vigor até 30 de setembro.

Segundo a ERSE, este desvio resulta da subida dos preços da eletricidade no mercado grossista ao longo de 2026.

O regulador atribui esta evolução, em grande parte, aos efeitos da guerra entre o Irão e os Estados Unidos, que impulsionou o preço do gás natural e, consequentemente, o preço da eletricidade.

O efeito tornou-se particularmente evidente a partir do terceiro trimestre, período em que o peso das energias renováveis é menor no total da produção nacional.

Quando existe menos produção renovável disponível, aumenta a necessidade de recorrer a centrais que utilizam gás natural. Como essa produção é mais cara, pode fazer subir o preço da eletricidade no mercado grossista.

A tarifa sobe menos do que o desvio dos custos

Há um pormenor importante no comunicado da ERSE.

O desvio estimado nos custos de aquisição é de 0,0176 euros por kWh, mas o aumento aplicado à tarifa será de apenas 0,005 euros por kWh.

Isto acontece porque o mecanismo previsto no Regulamento Tarifário não transfere imediatamente todo o desvio estimado para a fatura dos consumidores. Quando o limite definido é ultrapassado, a atualização faz-se pelo valor regulamentar de 0,005 euros por kWh.

A correção agora aplicada é, por isso, inferior ao desvio estimado nos custos de aquisição.

Isto não permite concluir que haverá necessariamente um novo aumento. Contudo, se os preços do gás e da eletricidade no mercado grossista permanecerem elevados, poderá continuar a existir pressão sobre as tarifas de 2027.

O mercado livre também vai aumentar os preços?

Não necessariamente.

Os comercializadores do mercado livre não são obrigados a aplicar o mesmo aumento de 2,7%. Cada empresa compra eletricidade em condições diferentes e segue a sua própria estratégia comercial.

Uma empresa pode decidir manter os preços para não perder clientes. Outra poderá:

  • aumentar o preço do kWh;
  • reduzir ou terminar descontos;
  • atualizar o preço da potência contratada;
  • substituir um tarifário por outro menos vantajoso;
  • rever os preços no final do período contratual.

Por isso, não é correto afirmar que a eletricidade vai subir 2,7% para todos os consumidores portugueses. O aumento anunciado aplica-se diretamente aos clientes do mercado regulado.

Apesar disso, a decisão da ERSE é um sinal de que os custos da eletricidade estão a aumentar. Se a tendência se mantiver, algumas ofertas do mercado livre também poderão ser revistas.

Como saber se está no mercado regulado?

Basta consultar a última fatura.

Se o comercializador for a SU Eletricidade, está no mercado regulado.

Se a fatura for emitida pela EDP Comercial, Endesa, Galp, Goldenergy, Iberdrola, Repsol ou outra empresa concorrencial, está no mercado livre.

Não deve confundir a EDP Comercial com a SU Eletricidade. A EDP Comercial atua no mercado livre, enquanto a SU Eletricidade exerce a função de Comercializador de Último Recurso no mercado regulado.

O que deve fazer antes de outubro?

O aumento não significa que tenha obrigatoriamente de mudar de fornecedor. Significa que deve voltar a comparar as ofertas disponíveis.

Consulte a última fatura

Procure os seguintes elementos:

  • consumo mensal em kWh;
  • preço da energia por kWh;
  • preço diário da potência contratada;
  • potência contratada;
  • desconto aplicado;
  • data de fim do desconto;
  • serviços adicionais pagos;
  • tipo de tarifário: simples, bi-horário ou tri-horário.

Olhar apenas para o total da fatura não permite saber se o contrato é competitivo.

Confirme se o desconto está a terminar

Muitas ofertas do mercado livre têm descontos válidos apenas durante seis, 12 ou 24 meses. Quando a campanha termina, o consumidor pode começar a pagar mais sem perceber imediatamente a razão.

Verifique na fatura ou no contrato:

  • a data de início do fornecimento;
  • a duração da campanha;
  • se o desconto é permanente ou temporário;
  • qual será o preço depois de terminar a promoção.

Uma chamada para o comercializador poderá ser suficiente para negociar uma nova condição ou encontrar um tarifário mais barato dentro da mesma empresa.

Compare o custo anual, não apenas o desconto

Um desconto de 20% não significa necessariamente que a oferta seja mais barata do que outra que anuncia 10%.

Tudo depende do preço sobre o qual o desconto é aplicado.

Compare sempre:

  • preço final do kWh;
  • custo da potência;
  • mensalidades;
  • serviços adicionais;
  • duração dos descontos;
  • condições de permanência;
  • custo total estimado para 12 meses.

O simulador de preços de energia da ERSE permite comparar as ofertas disponíveis com base no consumo e na potência contratada.

Verifique se a potência contratada é adequada

Reduzir a potência contratada pode criar uma poupança permanente, mas só deve fazê-lo se a potência atual for superior às necessidades da casa.

Se nunca utiliza vários equipamentos de maior consumo em simultâneo, poderá estar a pagar por uma potência de que não precisa.

Por outro lado, uma potência demasiado baixa pode fazer disparar o quadro elétrico quando estiverem ligados vários equipamentos ao mesmo tempo.

Avalie se o bi-horário compensa

O tarifário bi-horário pode ser vantajoso quando uma parte significativa do consumo é transferida para as horas de vazio.

Pode fazer sentido para quem:

  • carrega um automóvel elétrico durante a noite;
  • utiliza máquinas de lavar nas horas mais baratas;
  • tem um termoacumulador programável;
  • consegue transferir uma parte importante do consumo para o período de vazio.

Se a maioria da eletricidade for consumida fora das horas de vazio, o tarifário simples poderá ser mais vantajoso.

Não mude apenas por causa do aumento

Mudar de comercializador é um processo simples, não implica o corte do fornecimento e, normalmente, não exige a substituição do contador.

Mas a mudança deve ser feita com base em contas concretas.

O mercado regulado pode continuar competitivo mesmo depois do aumento. Da mesma forma, uma oferta do mercado livre aparentemente barata pode incluir descontos temporários, mensalidades ou serviços adicionais que anulam a vantagem.

Um aumento de 95 cêntimos ou de 2,70 euros por mês pode parecer pequeno. O problema é que não acontece isoladamente. As famílias também estão sujeitas à evolução dos combustíveis, dos alimentos, dos seguros, das prestações da casa e de outros serviços essenciais.

A nova tarifa entra em vigor em 1 de outubro. Até lá, há tempo para consultar a última fatura, confirmar as condições do contrato e comparar as ofertas disponíveis.

Não deve mudar apenas porque o mercado regulado vai aumentar. Mas também não deve continuar a pagar o mesmo preço por inércia sem confirmar se existe uma alternativa mais barata.

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