A EDP lançou uma nova oferta de eletricidade destinada a jovens até aos 35 anos. Tem os tarifários AQUI. À primeira vista, a proposta parece bastante atrativa: promete um desconto de 35% sobre o consumo de eletricidade nos primeiros três meses e de 15% nos nove meses seguintes. Mas será realmente uma das melhores opções do mercado? E o que acontece quando termina o período promocional?
Como sabe, gosto de estar atento às novas propostas que surgem no mercado. E gosto de as analisar com espírito crítico. Como a EDP acabou com aquele que era, até ao momento, o melhor tarifário do mercado há vários meses, fiquei curioso com a alternativa que encontraram.
Como sempre, o mais importante não é olhar apenas para a percentagem do desconto. O que interessa é quanto vai pagar efetivamente na fatura ao longo do tempo.
O que oferece este tarifário “Sub-35”?
A oferta exige adesão ao débito direto e à fatura eletrónica. Durante os primeiros 12 meses, o cliente beneficia de descontos sobre a energia consumida:
- 35% nos primeiros 3 meses;
- 15% nos 9 meses seguintes;
- após 12 meses, deixa de existir qualquer desconto.
No caso de aderir também ao gás natural, existe um desconto adicional de 5% na componente do gás.
Ora, 35% de desconto parece ser excelente, mas será tão bom assim?
Um detalhe importante que pode passar despercebido
Há um aspeto que merece destaque porque pode induzir alguns consumidores em erro.
O desconto não se aplica à potência contratada.
Nas tabelas do tarifário, a coluna "Desconto sobre a potência" apresenta sempre 0%, enquanto os descontos anunciados incidem exclusivamente sobre a energia consumida.
Isto significa que a parte fixa da fatura continua exatamente igual. Logo, o desconto sobre a fatura total está longe de ser 35%.
Por exemplo, para uma potência contratada de 6,9 kVA:
- potência: 0,5780 €/dia;
- desconto sobre a potência: 0%.
Assim, quando a publicidade fala em descontos de 35%, não significa uma redução de 35% na fatura total. É só sobre a linha da energia consumida (kWh).
Quanto custa realmente a eletricidade?
Para a tarifa simples e uma potência de 6,9 kVA, os preços da energia evoluem da seguinte forma:
- primeiros 3 meses: 0,1086 €/kWh;
- meses 4 a 12: 0,1420 €/kWh;
- após 12 meses: 0,1671 €/kWh.
Ou seja, o preço do kWh aumenta cerca de 54% entre o período promocional inicial e o preço definitivo.
Este é precisamente o tipo de situação que exige atenção dos consumidores. A oferta é bastante competitiva no início, mas perde atratividade à medida que os descontos desaparecem. As empresas contam com a sua preguiça de mudar de empresa, assim que o desconto diminui.
As vantagens
Preço muito competitivo nos primeiros meses
Os 0,1086 €/kWh dos primeiros três meses são um valor bastante interessante no atual mercado liberalizado.
Para quem acabou de arrendar ou comprar casa e pretende reduzir os custos iniciais, pode representar uma poupança relevante.
Mas será que está disposto a mudar novamente de empresa já daqui a 3 meses? Se sim, aproveite.
Sem desconto escondido na energia
Não quero deixar de dar os parabéns à EDP na questão da clareza. Ao contrário de algumas campanhas difíceis de interpretar, neste caso a tabela permite perceber claramente qual é o preço final pago pelo cliente durante cada fase da promoção. Não custa nada, e conhecendo as regras, adere quem quer e com toda a consciência.
Pode compensar para consumidores atentos
Quem tem o hábito de comparar tarifas regularmente pode beneficiar dos descontos durante um ano (na média dos primeiros 12 meses fica a um preço “normal”), abaixo do mercado regulado e, posteriormente, mudar para outro comercializador caso encontre uma alternativa mais barata.
As desvantagens
O desconto não é permanente
O principal problema deste tarifário é precisamente o seu carácter promocional.
Ao fim de um ano, o cliente passa a pagar o preço integral definido pela EDP, que é acima do regulado atual.
O desconto não incide sobre a potência
Como já referido, a componente fixa da fatura não beneficia de qualquer redução.
Para famílias com consumos reduzidos, esta limitação diminui significativamente o impacto do desconto anunciado.
O preço após os 12 meses merece comparação
Os 0,1671 €/kWh da tarifa simples após o período promocional podem deixar de ser competitivos face a outras ofertas disponíveis no mercado ou mesmo face ao mercado regulado, dependendo da evolução dos preços da energia.
Por isso, aderir sem intenção de voltar a comparar preços nos próximos meses pode sair caro.
Um exemplo prático
Imagine um casal jovem que consome 300 kWh por mês.
Nos primeiros três meses:
- 300 kWh × 0,1086 € = 32,58 € de energia.
Após o primeiro ano:
- 300 kWh × 0,1671 € = 50,13 € de energia.
A diferença é de:
- 17,55 € por mês;
- mais de 210 € por ano.
Naturalmente, a estes valores ainda acrescem potência contratada, taxas e impostos.
Vale a pena aderir?
A resposta depende do perfil do consumidor. Uma limitação importante é ser só para jovens até aos 35 anos (inclusive).
Para quem acompanha regularmente o mercado e não tem problema em mudar de comercializador quando encontra uma oferta melhor, esta campanha pode ser interessante durante o primeiro ano.
Mas para quem procura uma solução de longo prazo e tende a manter o mesmo contrato durante vários anos, o mais prudente é analisar o preço após o período promocional e compará-lo com as restantes ofertas disponíveis.
A principal conclusão é simples: os descontos são reais, mas temporários. O erro seria olhar apenas para os 35% anunciados e ignorar quanto custará a eletricidade quando a promoção terminar. É nessa altura que se percebe se a oferta continua a ser competitiva ou não.
Aproveite e veja quanto está a pagar atualmente. De for 16 cêntimos por kWh ou mais, está a desperdiçar dinheiro. Use o simulador da ERSE para encontrar a empresa mais barata para si.