Investimentos

O maior presente que pode dar aos filhos não é dinheiro

Há uma realidade que muitos pais ainda não perceberam: dar dinheiro aos filhos não é a mesma coisa que preparar financeiramente o futuro deles. Há pais que guardam 25 euros por mês numa conta à ordem durante 18 anos. Outros investem exatamente os mesmos 25 euros por mês durante o mesmo período. No final, a diferença pode ser de muitos milhares de euros.

Pedro Andersson

Por exemplo, 25 euros por mês durante 18 anos representam apenas 5.400 euros no bolso. Mas se esse dinheiro crescer em média 7% ao ano num investimento de longo prazo, pode transformar-se em cerca de 11 ou 12 mil euros. Se forem 50 euros por mês, o valor pode aproximar-se dos 25 mil euros

A boa notícia é que nunca houve tanta informação disponível para ajudar os filhos a crescer com uma relação saudável com o dinheiro. A má notícia é que muitas famílias continuam a repetir os mesmos erros financeiros de geração em geração.

Neste Dia mundial da Criança, com base nos conteúdos mais lidos, ouvidos e partilhados do Contas-poupança sobre este tema, reuni neste artigo as estratégias mais importantes para poupar, investir e ensinar os filhos a lidar com dinheiro.

Comece cedo. Mesmo que seja com pouco dinheiro

Um dos maiores erros é pensar que só vale a pena investir para os filhos quando houver muito dinheiro disponível.

Na verdade, o fator mais importante não é o valor. É o tempo.

Imagine um investimento de apenas 25 euros por mês desde o nascimento até aos 18 anos.


Dependendo da rentabilidade média conseguida ao longo desse período, a diferença entre deixar esse dinheiro parado e investi-lo pode representar dezenas de milhares de euros.

O segredo não está em encontrar o investimento perfeito. Está em começar.

Os depósitos a prazo podem estar a empobrecer os seus filhos

Esta é uma das conclusões mais importantes dos episódios dedicados a este tema.

Muitos pais colocam o dinheiro dos filhos em depósitos a prazo porque sentem que é mais seguro. O problema é que, em muitos períodos, os juros recebidos ficam abaixo da inflação. Depois ainda existe a retenção de imposto sobre os juros. O resultado é que o dinheiro cresce, mas o poder de compra diminui.

Isto não significa que os depósitos a prazo sejam inúteis. Podem fazer sentido para objetivos de curto prazo ou para dinheiro que possa ser necessário rapidamente. Mas para horizontes de 15 ou 20 anos, muitos pais começaram a procurar alternativas como ETFs, fundos de investimento ou PPR com exposição aos mercados financeiros.

O erro que quase todos cometem ao investir para os filhos

Muitos pais perguntam: “Devo investir em nome do meu filho?”

Na prática, essa possibilidade é muito limitada. Grande parte das corretoras não permite abrir contas de investimento para menores. Por isso, na maioria dos casos, os investimentos acabam por ser feitos em nome dos pais.

Mas isso levanta outra questão: quando chegar a altura de entregar o dinheiro aos filhos, qual é a forma mais eficiente de o fazer?

A estratégia fiscal que pode poupar milhares de euros

Esta foi provavelmente uma das descobertas que mais surpreendeu os leitores e ouvintes do Contas-poupança. Muitos pais pensam que a única solução é vender os investimentos e entregar o dinheiro aos filhos.

Mas existe outra possibilidade. Em determinadas circunstâncias, pode ser possível doar os próprios investimentos — ações, ETFs ou fundos — aos filhos.


E isso pode reduzir drasticamente o impacto fiscal das mais-valias.

Atenção: nem todas as instituições financeiras permitem este processo. Por isso, antes de começar, vale a pena confirmar junto do banco ou corretora quais são as regras aplicáveis.

Este é um daqueles detalhes que pode representar uma diferença de muitos milhares de euros daqui a duas décadas.

Dar dinheiro aos 18 anos nem sempre é boa ideia

Existe uma ideia quase automática: “Quando fizer 18 anos, entrego-lhe tudo.”

Mas será essa a melhor decisão? A experiência de muitos pais mostra que nem sempre.

Aos 18 anos, a maioria dos jovens ainda está a estudar, depende financeiramente dos pais e ainda está a aprender a gerir dinheiro. Em muitos casos, faz mais sentido continuar a usar essa poupança para pagar propinas, alojamento, formações, um carro para trabalhar ou até a entrada para uma casa.

O objetivo não deve ser entregar dinheiro.

O objetivo deve ser criar oportunidades.

Ensinar dinheiro é tão importante como investir dinheiro

Nenhum investimento substitui a educação financeira.

Se um filho receber 20 mil euros sem saber gerir dinheiro, existe uma forte probabilidade de esse dinheiro desaparecer rapidamente. Mas se aprender desde cedo conceitos básicos como orçamento, poupança, dívida, juros e investimento, esse valor pode transformar-se num ponto de partida para construir património durante toda a vida.

Um filho que herda dinheiro sem educação financeira pode perder tudo. Um filho que aprende a investir pode reconstruir riqueza várias vezes ao longo da vida.

Especialistas em educação financeira defendem que as crianças devem começar a lidar com dinheiro desde muito novas, através de exemplos simples do dia a dia: comparar preços, definir objetivos de poupança, gerir pequenas quantias e perceber a diferença entre necessidades e desejos.



Algumas ideias práticas para começar já esta semana

Não é preciso esperar pelo próximo ano nem por um aumento salarial.

Pode começar com medidas muito simples:

  • Abrir uma conta separada para os objetivos dos filhos.
  • Definir uma transferência automática mensal.
  • Investir parte do dinheiro das prendas.
  • Conversar sobre dinheiro de forma natural em casa.
  • Mostrar quanto custam realmente as coisas.
  • Explicar como funciona um orçamento familiar.
  • Ensinar que o dinheiro é uma ferramenta e não um objetivo.

São pequenas conversas que podem evitar grandes erros no futuro.

O mais importante não é o dinheiro

Quando se fala em investimentos para os filhos, é fácil ficar obcecado com ETFs, PPR, ações ou impostos.

Mas o verdadeiro património que pode deixar aos seus filhos não está numa conta bancária. Está na capacidade de tomarem boas decisões financeiras quando forem adultos.

Porque um filho que aprende a poupar, investir e evitar dívidas desnecessárias terá sempre uma vantagem enorme na vida.

E essa vantagem vale muito mais do que qualquer herança.

Para aprofundar este tema, pode ouvir os episódios do podcast e reportagens do Contas-poupança sobre investimentos para filhos, fiscalidade das doações de investimentos e educação financeira para crianças.

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