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BCE aumenta taxas de juro em 25 pontos base pela primeira vez em quase três anos

O Banco Central Europeu decidiu aumentar as taxas de juro diretoras pela primeira vez desde setembro de 2023.

Inês de Almeida Fernandes

O Banco Central Europeu (BCE) reuniu esta quinta-feira e decidiu aumentar as taxas de juro diretoras em 25 pontos base, o que já não acontecia desde setembro de 2023.

Nos últimos quase três anos, o regulador optou por descer ou manter os valores das taxas de juro. Em julho do ano passado, interrompeu-se o ciclo de cortes, mas não tinham sido feitos aumentos até agora.

Em comunicado, depois da quarta reunião de 2026, o BCE informou que as taxas aumentam 25 pontos base. A taxa aplicável à facilidade permanente de depósito e à facilidade permanente de cedência de liquidez sobe para 2,25% e 2,65%, respetivamente.

Já a taxa de refinanciamento, que influencia a Euribor, aumenta para 2,40%, com efeitos a partir do próximo dia 17 de junho.

De acordo com o banco central, a decisão de aumentar as taxas de juro é “robusta” face à guerra no Médio Oriente e a um conjunto de cenários que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir.

Quanto às projeções elaboradas pelos especialistas do Eurosistema relativamente à inflação global, o indicador deverá situar-se, em média, nos 3% este ano, em 2,3% em 2027 e em 2% em 2028.

Já no que diz respeito à inflação excluindo os preços dos produtos energéticos e alimentares, as projeções apontam para uma média de 2,5% em 2026 e 2027 e de 2,2% em 2028.

Comparativamente com as projeções divulgadas em março, os especialistas reviram em alta as projeções da inflação para 2026 e 2027, principalmente devido aos preços mais elevados dos produtos energéticos, que deverá acabar por refletir-se na inflação dos preços dos produtos alimentares, dos bens e dos serviços.

Na mesma nota, e referindo-se aos objetivos definidos para a inflação, o Conselho do BCE reitera que está "preparado para ajustar todos os instrumentos ao seu dispor, no âmbito do seu mandato, com vista a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo".

Segundo reiterou ainda no comunicado, o banco central considera que permanece "bem posicionado para lidar com a incerteza provocada pela guerra", mas continuará a acompanhar de perto a situação e seguirá uma abordagem "dependente dos dados e reunião a reunião" na definição da orientação para a política monetária.

De acordo com o calendário disponibilizado no site oficial, a próxima reunião do BCE está marcada para os dias 22 e 23 de julho.

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