Investimentos

Novos Certificados do Tesouro vão pagar até 3,35%. Será que compensam mais do que os Certificados de Aforro?

O Estado vai lançar novos Certificados do Tesouro que pagam até 3,35% de juros. Mas atenção: a taxa máxima não é o mesmo que a rentabilidade média e nem sempre este novo produto será melhor do que os Certificados de Aforro.

Analisei as novas regras, comparei os dois produtos e explico quanto poderá ganhar com investimentos entre 1.000 € e 50.000 €. Antes de decidir onde aplicar as suas poupanças, vale a pena conhecer todas as diferenças.

Pedro Andersson

O Governo vai lançar uma nova série de Certificados do Tesouro com uma taxa de juro que começa nos 2,35% no primeiro ano e sobe gradualmente até 3,35% no décimo ano. Feitas as contas, a remuneração média ao longo dos dez anos será de 2,71% ao ano. É a remuneração mais elevada dos Certificados do Tesouro dos últimos anos.

É uma tentativa de ter um produto equivalente às Obrigações do Tesouro do Estado português, mas muito mais acessível a qualquer cidadão. Até agora só estavam acessíveis através de entidades institucionais.

À primeira vista, pode parecer uma proposta muito interessante para quem procura um investimento sem risco. Mas será mesmo melhor do que os Certificados de Aforro? A resposta não é assim tão simples.

Como vão funcionar

A nova Série 5 dos Certificados do Tesouro foi aprovada esta sexta-feira, em Conselho de Ministros. Terá uma duração de dez anos e uma taxa de juro fixa, mas crescente ao longo do tempo. Já foi publicada em Diário da República, deverá começar a ser comercializada a partir da próxima segunda-feira nos mesmos canais dos Certificados de Aforro: correios, aforronet, Espaços Cidadão e Banco BIG.

A remuneração será a seguinte:

  • 1.º ano - 2,35%
  • 2.º ano - 2,45 %
  • 3.º ano - 2,45 %
  • 4.º ano - 2,65 %
  • 5.º ano - 2,65 %
  • 6.º ano - 2,75 %
  • 7.º ano - 2,75 %
  • 8.º ano - 2,85 %
  • 9.º ano - 2,85 %
  • 10.º ano - 3,35 %.

A média destas taxas corresponde a 2,71% ao ano.

Outra novidade é que desaparece o prémio indexado ao crescimento da economia portuguesa que existia nas séries anteriores. Em contrapartida, a remuneração é totalmente conhecida desde o primeiro dia.

A comparação que interessa

A grande questão é saber se estes certificados conseguem competir com os Certificados de Aforro.

Neste momento, a taxa base dos Certificados de Aforro da Série F é de 2,356%, praticamente igual à taxa do primeiro ano da nova série dos Certificados do Tesouro. A partir daí, os dois produtos seguem caminhos diferentes.

No entanto, existem diferenças importantes.

Os Certificados de Aforro permitem o resgate do dinheiro ao fim de apenas três meses e exigem um investimento mínimo de apenas 100 euros. Além disso, os juros são capitalizados trimestralmente e existem prémios de permanência que aumentam a rentabilidade ao longo do tempo.

Já os novos Certificados do Tesouro exigem um compromisso muito mais longo. Quem quiser beneficiar das taxas superiores a 3% terá de manter o investimento durante oito, nove ou dez anos.

Os Certificados de Aforro seguem a Euribor a 3 meses e a taxa de juro varia trimestralmente. Os Certificados do Tesouro têm uma taxa fixa crescente, independentemente do que aconteça no mundo (e à Euribor).

O mínimo de subscrição dos novos Certificados do Tesouro (Série 5) é de 1.000 €.

O capital só pode ser resgatado passado 1 ano. No entanto, se o resgate ocorrer antes do pagamento anual dos juros, perde os juros ainda não pagos desse período. Os juros não são cumulativos e têm retenção na fonte de 28% como os outros produtos do Estado e depósitos bancários.

Então, se tenho 10.000 € hoje, ponho nos Certificados de Aforro ou nos novos Certificados do Tesouro?

Se procura previsibilidade: escolha os Certificados do Tesouro.

Se valoriza liquidez e juros compostos: os Certificados de Aforro continuam a ser uma excelente alternativa.

Vale a pena?

Para quem pretende investir durante uma década e privilegia uma remuneração fixa conhecida à partida, esta nova série poderá revelar-se interessante. À partida, a nova série posiciona-se acima da grande maioria dos depósitos a prazo atualmente disponíveis no mercado, o que deverá obrigar muitos bancos a reagir se quiserem continuar a captar poupanças. Esta nova série deverá aumentar a concorrência entre o Estado e os bancos pela captação das poupanças das famílias. Os novos Certificados do Tesouro batem a enorme maioria dos depósitos bancários.

Por outro lado, quem valoriza flexibilidade poderá continuar a preferir os Certificados de Aforro, sobretudo porque permitem levantar o dinheiro muito mais cedo caso surja uma necessidade inesperada.

Há ainda outro aspeto importante. Ao contrário dos Certificados de Aforro, sabe exatamente quanto vai receber em cada ano, independentemente do que acontecer às taxas Euribor.

A taxa média de 2,71% é interessante no atual contexto de descida das taxas de juro. Mas, se no futuro os juros de mercado voltarem a subir de forma significativa, quem investir nestes certificados ficará "preso" a uma remuneração previamente definida. Contudo, passado 1 ano, pode resgatar e mudar para melhor, se encontrar.

O que deve fazer?

Se estava a pensar investir nos próximos dias, vale a pena comparar cuidadosamente este novo produto com os Certificados de Aforro e com os melhores depósitos a prazo.

Mais importante do que olhar para a taxa máxima de 3,35% é perceber quanto irá receber, em média, durante todo o período do investimento, durante quanto tempo pretende deixar o dinheiro aplicado e se poderá precisar dele antes dos dez anos.

Veja aqui quando pode render este novo produto do Estado.

Investimento

Juros brutos (10 anos)

Total recebido

(capital + juros)

Juros líquidos (28%)

Total líquido

1.000 €

271,00 €

1.271,00 €

195,12 €

1.195,12 €

5.000 €

1.355,00 €

6.355,00 €

975,60 €

5.975,60 €

10.000 €

2.710,00 €

12.710,00 €

1.951,20 €

11.951,20 €

25.000 €

6.775,00 €

31.775,00 €

4.878,00 €

29.878,00 €

50.000 €

13.550,00 €

63.550,00 €

9.756,00 €

59.756,00 €

O melhor e o pior deste produto

Vantagens

  • Capital garantido.
  • Taxas fixas conhecidas desde o primeiro dia.
  • Remuneração acima da maioria dos depósitos.
  • Possibilidade de resgate ao fim de um ano.

Desvantagens

  • Juros não são capitalizados.
  • Investimento mínimo de 1.000 €.
  • Só beneficia das taxas mais elevadas se mantiver o dinheiro vários anos.
  • Pode perder oportunidades se as taxas de mercado voltarem a subir.

De acordo com as regras previstas, as taxas de juro podem ser alteradas no futuro, mas só para novas subscrições. Quem subscrever a partir da próxima segunda-feira, manterá estas regras até ao fim dos 10 anos.

Faça as suas contas e avalie se é um bom produto para colocar as suas poupanças que precisa que tenham capital garantido.

Se procura uma aplicação com capital garantido e consegue prescindir deste dinheiro durante vários anos, esta poderá ser uma das propostas mais interessantes do mercado. Mas antes de decidir, compare sempre a remuneração com os Certificados de Aforro e com os melhores depósitos disponíveis nesse momento.

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