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BCE mantém os juros. O que muda (ou não) no crédito à habitação e nas poupanças?

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter inalteradas as três taxas de juro diretoras, confirmando as expectativas dos mercados. A decisão significa que, para já, não há novas alterações nas suas contas do crédito à habitação e no rendimento das suas poupanças.

Pedro Andersson

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter inalteradas as três taxas de juro diretoras, confirmando as expectativas dos mercados.

Na prática, quem tem crédito à habitação com taxa variável não deverá sentir qualquer impacto imediato por causa desta reunião. Também quem tem depósitos a prazo ou produtos de poupança indexados às taxas do BCE não deverá ver mudanças resultantes desta decisão.

O BCE manteve a taxa de depósito em 2,25%, a principal taxa de referência da política monetária. As restantes taxas permaneceram igualmente inalteradas: 2,40% nas operações principais de refinanciamento e 2,65% na facilidade permanente de cedência de liquidez.

Porque é que o BCE não mexeu nos juros?

Segundo o banco central, a incerteza económica continua elevada, sobretudo devido às tensões geopolíticas no Médio Oriente e ao impacto que estas podem ter nos preços da energia e, consequentemente, na inflação.

Embora o preço do petróleo tenha registado fortes oscilações nas últimas semanas, o BCE considera que, para já, não existem razões suficientes para voltar a subir as taxas de juro.

O banco central refere ainda que o impacto total do recente choque energético ainda poderá refletir-se na inflação, pelo que prefere aguardar por mais dados antes de tomar novas decisões.

Recorde: em junho houve uma subida inesperada

Esta decisão surge depois de, em junho, o BCE ter surpreendido os mercados ao aumentar as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, a primeira subida desde 2023.

Na altura, justificou essa decisão com o receio de que a subida dos preços da energia, provocada pelo conflito no Médio Oriente, pudesse voltar a alimentar a inflação.

Desde então, as taxas ficaram nos seguintes níveis:

  • Taxa de depósito: 2,25%
  • Taxa de refinanciamento: 2,40%
  • Taxa de cedência de liquidez: 2,65%

São precisamente estes valores que agora se mantêm.

O que significa para quem tem crédito à habitação?

Se o crédito está indexado à Euribor, esta decisão não altera automaticamente a prestação da casa.

A Euribor é definida pelo mercado e já incorporava a expectativa de que o BCE não mexesse nas taxas nesta reunião. Por isso, dificilmente haverá movimentos significativos apenas por causa deste anúncio.

Na prática:

  • Se a revisão do crédito ocorrer nos próximos meses, a prestação dependerá sobretudo do valor da Euribor na data da atualização.
  • Quem tem taxa fixa ou taxa mista também não verá qualquer alteração imediata.

E para quem tem poupanças?

Também aqui não há novidades.

Os bancos dificilmente irão alterar as remunerações dos depósitos apenas devido a esta decisão, uma vez que as taxas diretoras permanecem iguais.

O mesmo acontece com vários produtos financeiros cuja remuneração depende, direta ou indiretamente, das taxas do BCE.

O que deve fazer agora?

Esta decisão não exige qualquer ação imediata.

No entanto, é um bom momento para fazer um pequeno "check-up" às finanças pessoais:

  • Compare o spread do seu crédito com as ofertas atualmente disponíveis no mercado.
  • Verifique se continua a ter um dos melhores depósitos a prazo ou contas remuneradas.
  • Se tem uma taxa variável elevada, faça simulações de transferência do crédito para perceber se consegue reduzir a prestação.

Muitas famílias continuam a pagar spreads contratados há vários anos, quando hoje já existem propostas mais competitivas. Mesmo sem alterações do BCE, pode haver margem para poupar dezenas ou centenas de euros por ano.

Quando volta o BCE a reunir?

A próxima reunião de política monetária está marcada para os dias 9 e 10 de setembro, em Berlim.

Até lá, os investidores, os bancos e as famílias vão acompanhar sobretudo a evolução da inflação, dos preços da energia e da economia europeia, fatores que serão determinantes para perceber se o BCE voltará a subir os juros ou se iniciará um novo período de estabilidade.

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