Os Certificados de Aforro voltaram a bater recordes. Em agosto, o total investido chegou a 44.604 milhões de euros, segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal, o valor mais alto desde que há registos, em dezembro de 1998.
É o 23.º mês consecutivo de subida. Num ano, o investimento cresceu 15,7%, mais de 6 mil milhões de euros. Em agosto de 2025 eram 38.546 milhões de euros que os portugueses tinham aplicados neste instrumento.
Setembro vai render o máximo possível
Há uma boa notícia para quem tem certificados de aforro, em setembro vão render a taxa máxima da Série F, 2,5%. É a primeira vez desde fevereiro de 2025 que isso acontece.
A razão é simples, a taxa dos Certificados de Aforro está indexada à Euribor a 3 meses. Nos dias relevantes para o cálculo, a Euribor ficou em 2,517%, acima do teto máximo, o que se traduz na aplicação imediata da taxa máxima.
Se tiver Certificados de Aforro subscritos há mais de um ano, a rentabilidade pode ser ainda superior, graças aos prémios de permanência de 0,25% por cada ano adicional.
Prémios de Permanência
- 2.º ao 5.º ano: +0,25% ao ano
- 6.º ao 9.º ano: +0,50% ao ano
- 10.º e 11.º ano: +1,00% ao ano
- 12.º e 13.º ano: +1,50% ao ano
- 14.º e 15.º ano: +1,75% ao ano
Para ter uma ideia, 1.000 euros aplicados hoje a 2,5% (nada garante que, durante os próximos doze meses a taxa se mantenha a este valor) rendem 10,84 euros líquidos no final do ano. Quem subscreveu desde o início da Série F, em junho de 2023, acumulou já 60,35 euros líquidos por cada 1.000 euros investidos.
Atenção que estes valores são depois de retenção na fonte de 28% (para contribuintes fiscais no continente), mas poderá recuperar parte desse imposto na declaração de IRS do próximo ano, consoante o seu escalão.
Os Certificados do Tesouro continuam a perder
Ao contrário dos Certificados de Aforro, o dinheiro aplicado em Certificados do Tesouro continua a descer. Em agosto, o valor investido caiu para 6.441 milhões de euros, menos 24,2% do que há um ano. É o valor mais baixo desde janeiro de 2015.
Os Certificados do Tesouro têm descido de forma consecutiva desde outubro de 2021, quando atingiram o máximo histórico de 17.865 milhões de euros. Talvez a tendência se inverta nos próximos meses com o início da Série 5, como juros fixos a partir de 2,35%, e que atingem os 3,35%.
O que pode fazer agora
- Verifique os prémios de permanência. Se tem Certificados de Aforro há mais de um ano, a sua rentabilidade real pode ser superior a 2,5%. Confirme no AforroNet ou nos CTT.
- Atualize os seus dados. Desde outubro de 2025, o IGCP exige dados de segurança atualizados. Quem não o fizer pode ter a conta bloqueada.
- Não compare apenas pela taxa. Os Certificados do Tesouro Série 5 oferecem taxa garantida por 10 anos, os Certificados de Aforro dependem da Euribor. Se os juros europeus voltarem a cair, os Certificados de Aforro renderão menos.