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Taxa de poupança das famílias recua para 12,1%: as despesas cresceram mais do que os rendimentos

A taxa de poupança das famílias portuguesas recuou de 12,4% para 12,1% do rendimento disponível no segundo trimestre de 2026, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Os rendimentos aumentaram, mas as despesas de consumo cresceram ainda mais.

Contas Poupança

Segundo o INE, a taxa de poupança das famílias mede a parte do rendimento disponível que não é utilizada em consumo final. É calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível, incluindo um ajuste relacionado com a participação das famílias nos fundos de pensões. Dito de uma forma mais simples, permite perceber que parte do rendimento disponível das famílias não foi utilizada para consumo.

No segundo trimestre de 2026 (abril, maio e junho), essa percentagem foi de 12,1%, abaixo dos 12,4% registados nos primeiros três meses do ano.

Para perceber a ordem de grandeza, podemos simplificar, por cada 100 euros de rendimento disponível, cerca de 12,10 euros corresponderam a poupança. Outra forma de ver a estatística é calcular 120 euros de poupança por cada mil que entram em casa.

Como pode ver acima, em comparação com 2023, estamos a falar do dobro da poupança mensal. É uma evolução muito relevante.

É importante entender que isto não significa que todas as famílias estejam a conseguir guardar 12,1% do salário todos os meses. É um indicador para o conjunto das famílias portuguesas, havendo agregados que poupam muito mais e outros que podem não conseguir poupar nada.

Rendimentos aumentaram, mas as despesas cresceram mais

O Rendimento Disponível Bruto das famílias aumentou 1,4% face ao trimestre anterior. Para esta evolução contribuiu, sobretudo, o crescimento de 1,6% das remunerações bem como o aumento das prestações sociais recebidas. Porém, as despesas cresceram ainda mais.

A despesa de consumo final aumentou 1,7%, depois de ter crescido 1,3% no trimestre anterior. Ou seja, apesar de as famílias terem mais rendimento disponível, o consumo aumentou a um ritmo superior.

É esta diferença que ajuda a explicar a descida da taxa de poupança para 12,1%.

O que é que estes números dizem sobre as finanças dos portugueses?

Uma descida de 12,4% para 12,1% não significa automaticamente que todas as famílias estejam numa situação financeira pior. Estes são valores agregados. Duas famílias com o mesmo rendimento podem ter situações completamente diferentes, uma pode conseguir poupar várias centenas de euros todos os meses e outra pode chegar ao final do mês sem qualquer margem.

Ainda assim, há uma conclusão importante nestes dados: os rendimentos das famílias aumentaram, mas as despesas cresceram mais depressa.

Vale a pena fazer a mesma análise às suas contas. Se recebeu um aumento ou passou a ter mais rendimento nos últimos meses, veja se conseguiu transformar pelo menos uma parte desse aumento em poupança ou se as suas despesas também subiram.

Os números do INE mostram que as famílias continuam a reservar uma parte do rendimento disponível, mas essa margem diminuiu ligeiramente no segundo trimestre. Mais importante do que comparar a sua situação com os 12,1% nacionais é perceber como estão a evoluir as suas próprias contas. Veja quanto lhe sobra todos os meses e compare com os meses anteriores. Se o seu rendimento aumentou, confirme se uma parte desse aumento se transformou em poupança ou se acabou absorvida pelo aumento das despesas. Mesmo que consiga guardar pouco, criar o hábito de poupar regularmente faz a diferença.

Não confunda poupança com investimento. Poupar significa não gastar uma parte do rendimento, investir é aplicar esse dinheiro com o objetivo de o valorizar, assumindo maior ou menor risco.

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