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Euribor a 12 meses volta aos 3%. Quanto pode subir a prestação da casa?

Depois de muitos meses em que a palavra de ordem foi “descida”, as Euribor estão novamente a subir. A taxa a 12 meses ultrapassou os 3% pela primeira vez desde setembro de 2024 e as taxas a três e seis meses também atingiram máximos de vários meses. Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, é um sinal a acompanhar com atenção: se esta tendência continuar, muitas famílias poderão voltar a ter aumentos na prestação da casa nas próximas revisões.

Pedro Andersson

Parece haver uma confirmação da alteração de tendência. E não é boa para quem tem crédito à habitação com taxa variável.

Na sexta-feira, 21 de agosto, as três principais taxas Euribor voltaram a subir.

A Euribor a três meses passou para 2,524%, a seis meses para 2,765% e a 12 meses atingiu 3,003%.

No caso da Euribor a 12 meses, é a primeira vez desde setembro de 2024 que a taxa diária ultrapassa a barreira dos 3%.

À primeira vista podem parecer apenas números e pequenas diferenças de décimas. Mas há uma mudança importante por detrás destes valores: a tendência das Euribor inverteu-se claramente em 2026.

E isso pode voltar a sentir-se no orçamento de quem está a pagar um crédito à habitação.

As Euribor estão novamente a subir

Para perceber a diferença, basta comparar os valores atuais com as médias de julho.

Em julho, as médias mensais foram:

  • Euribor a 3 meses: 2,425%
  • Euribor a 6 meses: 2,647%
  • Euribor a 12 meses: 2,855%

No dia 21 de agosto estavam, respetivamente, em 2,524%, 2,765% e 3,003%.

Ou seja, todas estão acima da média do mês anterior. A estes valores deve acrescentar o seu spread que paga ao banco.

No caso da Euribor a 12 meses, a média provisória de agosto estava já em cerca de 2,94%, acima dos 2,855% registados em julho. O valor definitivo só será conhecido quando terminar o mês.

Este pormenor é muito importante.

Atenção: a sua prestação não é calculada com os 3,003%

Quando se lê que “a Euribor a 12 meses ultrapassou os 3%”, pode ficar a ideia de que quem tem crédito à habitação vai imediatamente começar a pagar uma prestação calculada com esses 3,003%.

Não é assim. Vamos perceber como isto funciona.

Os 3,003% correspondem à cotação diária da Euribor a 12 meses de 21 de agosto.

Nos créditos à habitação com taxa variável, o valor utilizado na revisão é, em regra, a média aritmética simples das cotações diárias da Euribor no mês anterior à revisão do contrato.

O Banco de Portugal explica, por exemplo, que um contrato cuja taxa seja revista num determinado mês utiliza a média da Euribor do mês anterior.

Portanto, para quem tiver uma revisão baseada na média de agosto, o que interessa não são os 3,003% de um único dia, mas o valor médio com que agosto terminar.

Neste momento, essa média ainda não está fechada.

Mas a direção é clara: está acima de julho.

A grande mudança aconteceu em 2026

Há poucos meses, o cenário era bastante diferente.

A Euribor a 12 meses começou 2026 com uma média de aproximadamente 2,245% em janeiro. Em julho já estava nos 2,855% e, em agosto, a média provisória aproxima-se agora dos 2,94%.

Portanto, estamos a falar de uma subida de quase 0,7 pontos percentuais desde o início do ano.

Para quem tem um crédito elevado e muitos anos pela frente, esta diferença já começa a ser relevante.

E a comparação com agosto do ano passado é ainda mais expressiva.

Em agosto de 2025, a média da Euribor a 12 meses foi de aproximadamente 2,114%. Agora está perto dos 3%.

Isto significa que algumas famílias que tenham a revisão anual do crédito por esta altura poderão voltar a sentir uma subida significativa da prestação.

Quanto pode aumentar a prestação?

Vamos fazer uma simulação simples.

Imagine um crédito à habitação com:

  • 150.000 euros de capital em dívida
  • 30 anos
  • spread de 1%
  • Euribor a 12 meses

Se fosse aplicada uma Euribor de 2,114%, semelhante à média de agosto de 2025, a taxa total seria aproximadamente 3,114%.

A prestação seria de cerca de:

642 euros por mês

Se a Euribor utilizada passar para aproximadamente 2,94%, a taxa total passa para cerca de 3,94%.

A prestação sobe para aproximadamente:

711 euros por mês

Diferença:

+69 euros por mês

Num ano:

+828 euros

Naturalmente, este é apenas um exemplo. O aumento real depende do capital ainda em dívida, do prazo restante, do spread, do indexante e da data em que o contrato é revisto.

Mas permite perceber uma coisa importante: uma diferença inferior a 1 ponto percentual na Euribor pode traduzir-se em várias centenas de euros por ano no orçamento familiar. Tem esse dinheiro disponível, ou vai ter de cortar em alguma categoria do seu orçamento familiar?

Porque estão as Euribor a subir?

A explicação está, em grande parte, nas expectativas relativas às taxas de juro do Banco Central Europeu.

Em junho, o BCE aumentou as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais, naquela que foi a primeira subida desde setembro de 2023.

O BCE justificou a decisão com novas pressões inflacionistas, nomeadamente as provocadas pela subida dos preços da energia associada ao conflito no Médio Oriente.

Em julho, o BCE não voltou a aumentar as taxas e manteve a taxa da facilidade permanente de depósito nos 2,25%. Mas deixou claro que continuará a decidir reunião a reunião, de acordo com a evolução da inflação, da economia e dos restantes indicadores.

A próxima reunião de política monetária está marcada para 9 e 10 de setembro, em Berlim.

E os mercados estão atualmente a antecipar uma nova subida das taxas de juro em setembro. Além disso, começam a admitir um ciclo de taxas mais altas durante mais tempo do que era esperado há apenas algumas semanas. Só em setembro saberemos o que vai realmente acontecer.

Porque sobe a Euribor antes de o BCE decidir?

Esta é uma dúvida muito frequente.

A Euribor não espera necessariamente que o BCE aumente ou diminua oficialmente as taxas.

Os mercados tentam antecipar aquilo que o banco central fará no futuro.

Se os investidores começarem a acreditar que o BCE vai manter os juros elevados ou voltar a aumentá-los, essa expectativa pode começar imediatamente a refletir-se nas Euribor.

Foi por isso que, durante períodos anteriores, as Euribor começaram a descer antes de o BCE iniciar efetivamente as descidas das taxas diretoras.

Agora pode estar a acontecer o movimento contrário.

O mercado está a antecipar juros mais elevados e as Euribor estão a ajustar-se.

A Euribor a seis meses é a mais importante em Portugal

Há ainda outro dado que ajuda a perceber a importância desta evolução.

A Euribor a seis meses é atualmente o principal indexante dos créditos à habitação de taxa variável em Portugal.

De acordo com dados do Banco de Portugal referentes a junho, representa 39,9% do stock de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável.

A Euribor a 12 meses representa 31,3% e a Euribor a três meses cerca de 24,4%.

Portanto, a subida não afeta apenas quem está indexado à Euribor a 12 meses.

As três principais Euribor estão atualmente a subir.

O que deve fazer agora se tem crédito à habitação

Não há qualquer vantagem em entrar em pânico por causa da cotação da Euribor num determinado dia.

Mas há várias coisas que vale a pena fazer.

A primeira é descobrir qual é a Euribor do seu contrato.

Veja no contrato ou no extrato bancário se tem Euribor a três, seis ou 12 meses.

Depois descubra quando é a próxima revisão da taxa.

É essa data que determina quando uma alteração da Euribor poderá chegar à prestação.

A seguir, faça uma simulação.

Não espere pela carta do banco para descobrir quanto vai pagar. Se sabe aproximadamente qual poderá ser a nova taxa, pode calcular antecipadamente o impacto no orçamento.

E há uma pergunta que considero ainda mais importante:

Continua a ter um crédito competitivo?

Se já não negoceia o crédito há vários anos, esta pode ser uma boa altura para comparar propostas de outros bancos.

Um spread mais baixo pode compensar parcialmente a subida da Euribor.

Também pode avaliar uma transferência do crédito ou uma mudança para taxa fixa ou mista, mas não deve decidir apenas com base no medo de novas subidas.

Taxa fixa significa pagar pela segurança de saber antecipadamente quanto vai pagar. Pode ser uma excelente escolha para algumas famílias e uma má escolha para outras.

Tudo depende das propostas concretas.

E amortizar o crédito?

Quem tem poupanças disponíveis pode também ponderar uma amortização parcial.

Quanto menor for o capital em dívida, menor será o impacto dos juros na prestação.

Mas não faz sentido retirar todo o dinheiro das poupanças apenas para amortizar a casa.

Antes de amortizar, mantenha um fundo de emergência adequado e compare aquilo que está a pagar pelo empréstimo com aquilo que consegue obter, líquido de impostos e sem risco excessivo, pelas suas poupanças.

A decisão deve ser feita com números e não apenas com a sensação desagradável de ver a Euribor subir.

Não conte com taxas baixas para sempre

Talvez esta seja a principal lição destes últimos anos.

Durante muito tempo houve Euribor negativa. Depois vieram subidas brutais. A seguir chegaram novamente as descidas. E agora os juros voltaram a subir.

Quem tem um crédito à habitação a taxa variável deve partir sempre do princípio de que a prestação pode mudar.

Se o orçamento familiar só funciona enquanto a Euribor estiver baixa, existe um problema.

Uma boa estratégia é criar uma margem mensal de segurança e aproveitar os períodos em que a prestação baixa para poupar ou amortizar dívida, em vez de transformar imediatamente essa folga em mais despesa.

Quando os juros voltam a subir, essa margem faz toda a diferença.

O que vai acontecer agora?

Ninguém sabe com certeza.

A média de agosto ainda não está fechada e o BCE ainda não decidiu se volta a aumentar as taxas em setembro.

Mas uma coisa já é objetiva: as Euribor estão novamente a subir e encontram-se bastante acima dos valores registados há um ano.

Quem tem crédito à habitação com taxa variável deve, por isso, verificar agora a data da próxima revisão.

Não vale a pena tentar adivinhar onde estará a Euribor daqui a seis meses ou daqui a um ano.

Vale muito mais saber quanto aumentaria a prestação se a Euribor subisse mais 0,25, 0,50 ou 1 ponto percentual.

Se o orçamento continuar confortável, ótimo.

Se começar a ficar apertado, é melhor descobrir isso agora do que no mês em que chegar a nova prestação.

Faça as contas antes que o banco as faça por si.

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